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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Aí...

... aí, (com a cabeça já no travesseiro, os olhos pequenos pois ainda era cedo mas o sono já era grande) ela chorou.
Não que estivesse triste, pelo contrário! Já que tristeza, dessas verdadeiras mesmo, ela não via há tempos, quase um ano, desde que ele chegou.
Mas chorou de calma, de leveza sentida por dentro, de pensamentos bons guardados no peito, de lembranças bonitas gravadas no arquivo da memória, de felicidade e enfim...
E naquele instante, o mundo se quisesse acabar, dessa vez nem poderia ir. Porque ela não queria mais que as coisas tivessem um fim rápido, como por vezes tanto quis.
E por mais que as coisas se fizessem pesadas demais (e que por vezes ela mesma as tornasse assim), dessa vez a vida merecia um retrato desses nunca vistos, mas que lembram a casa branquinha no alto da serra com árvores fazendo sombra e roseiras trazendo flor.
Simplicidade...
“Ah Deus!”, ela chama olhando pro céu, no rumo certo da única estrela alcançada nas nuvens nubladas avermelhadas da sua janela pra dizer que as coisas possíveis mais bonitas que a vida podia lhe dar, clareavam em cada gotinha escorrida dos olhos... estava tudo ali: nas escolhas, nas mãos, na saudade, nos sentimentos todos tão fortes e ainda cada vez mais, em cada tarde de outono.
Quis agradecer mais uma vez, mas já dormia antes de tentar.
No entanto, silêncio às vezes diz mais que qualquer palavra. E em seu silêncio, morava a mais doce felicidade...

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

♪

"Não sei se eu saberia
Chegar até o final do dia sem você" 

Zélia Duncan

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

¨

Eu saberia ir embora da tua vida, sem reclamar ou te pedir pra reconsiderar ou implorar pra me deixar ficar.
Saberia desligar o telefone até esquecer teu número que sei de cór, saberia apagá-lo sem deixar qualquer vestigio, qualquer marca, só pra não te importunar nas noites de longa solidão.
Saberia construir minha vida e levá-la a diante com força e graça, do jeitinho que sempre planejei antes de você chegar.
Saberia esperar com paciência todos os teus impasses, perdoaria todos os teus deslizes, cuidaria de todas as tuas feridas, transferiria pra mim toda tua tristeza.
Saberia escrever menos dor e mais sorrisos, cuidaria mais de mim, cortaria o cabelo outra vez, perderia meus quase 10 quilos a mais, comeria menos chocolate e mais frutas de sobremesa, faria minhas outras 5 tatuagens de uma só vez, tomaria cuidado com minha pele clara exposta ao sol.
Eu saberia até ser menos implicante e jamais cortaria os pulsos, nem morreria de amor como quase morri um dia. Jamais colocaria tuas roupas na rua, nem quebraria o vidro da tua janela, nem cortaria as flores do teu jardim.
Eu saberia lidar com tudo de maneira amigável, sem rancores, sem escandâlos nem brigas.
O que eu não sei é conviver com a frieza das coisas, como se elas fossem calculáveis e previsiveis. Porque elas não são. Pelo menos pra mim...
Então, se é pra transformá-las de uma hora pra outra, prefiro que elas deixem de existir. Me é menos doloroso...

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

"Bem - me - leve"

Apanhador Só

"eu pensava ter uma bicicleta
e pedalar até a tua rua
dizer que ainda sou tua
eu queria ser um avião bem leve
pra sobrevoar o teu terraço
e tapar teu sol
fazer tu perceber
que sem eu aí não tem
ninguém pra te aquecer
perfume atrás da orelha
vestido bem vestido
um sorriso no rosto
um punhado de amigos
que é pra,
se acaso eu te encontrar um dia,
tu ver como eu ainda tô bonita
ou mais
ainda mais ainda
ou mais
ainda mais bonita"
 
 
... porque música boa tem essa coisa bonita de levar a gente pra onde quiser... 
 
Conheça e ouça: 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Abacate

"Sinto falta daí. 
Mas digo que na verdade sinto falta do colo, do conforto, do útero.
E que devo ficar por aqui"
Caio F. Abreu
Hoje acordei assim: sentindo muita saudade.
E os últimos dias, tão corridos, quase me fizeram esquecer como ela é bonita.
Sim! Bela... e com cores até.
A gente tem mania de achar ruim tudo que dói... mas não pensa às vezes que além da dor, a saudade carrega também amor.
Acho (não tenho certeza de quase nada nessa minha vida), que a gente só sente saudade daquilo que ama, daquilo que faz bem dentre tudo que fez parte da nossa vida.Ou que ainda faz, mas anda muito longe, por outros lados, encantando em outros cantos...
E pensando assim, a gente começa a achar um mundo de coisas de um passado, não muito distante, mas que a gente cria...

Ah... e tanto texto só pra dizer que sinto saudade de mãe... e o quanto me faz falta aqueles olhos cor de abacate olhando pros meus com tanta serenidade...

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cidadezinha Silenciosa...

É impressionante como Itaúna perde um pouco sua vida aos sábados depois das 14h e só a recobra domingo à noite, ou segunda-feira, quando as pessoas começam a sair para trabalhar pela manhã.
O horário dos ônibus é adiantado em até 10 minutos (tempo considerável para quem se acostumou a marcar seus passos por um relógio) e estes, passam sempre quase vazios.
Sábado foi a primeira vez que vi Itaúna aos 23 e percebi que ela ainda funcionava como aos 21, quando saí de lá.
Exceto pela praça central, agora praticamente interditada por uma "grande e inovadora" reforma, algumas lojas novas no centro e outras antigas com suas fachadas reformadas, tudo continua no mesmo lugar.
As únicas pessoas nas ruas aos sábados depois das 14h, são as que ainda voltam do trabalho ou as poucas que ainda vão trabalhar. Outras (e essas poucas mesmo) que saem para ir à Igreja, à banca de revistas que fica aberta até às 20h, ou os senhores que jogam truco e xadrez embaixo das árvores (e quando chove, nem eles resistem).
À noite, o movimento gira em torno da avenida principal cercada por bares e sorveterias. As pessoas costumam andar de um lado para o outro, sempre bem arrumadas e sorridentes. Meus amigos costumavam sentar para beber e conversar no posto de gasolina que tem em uma esquina. Sempre achei interessante, apesar de sempre ir embora  cedo.
No sábado, voltando pra casa num ônibus vazio,  olhei para o posto procurando rostos conhecidos e não encontrei. O tempo havia passado por ali também e pela vida de cada um deles...
Sempre gosto de voltar pra cá (Belo Horizonte) antes de Itaúna recobrar a vida que perde aos sábados depois das 14h. Não sei... acho que essa ausência de vida, a deixa mais serena, mais tranquila, mais interiorana.
Pode ser cisma minha, mas acho que ela fica mais bonita sem tantas pessoas correndo de um lado pro outro.
Bem... as pessoas em Itaúna não correm muito... vai ver é por isso que qualquer movimento mais acelerado, pareça tão estranho pra mim, visto lá.
Vai ver é por isso que, mesmo que eu tenha saido de lá por escolha, eu gosto tanto daquele lugar.
Itaúna, pra mim, é um constante amanhecer...