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sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Despedida

De malas prontas, já tudo guardado, ela começou a pensar no significado e na importância das coisas.
Por coincidência (ou não), te encontrou nos detalhes mais bonitos... esses que causam alegria e que muitas vezes, levam embora pra bem longe a solidão.
Por um instante exitou. Lembrou das coisas que construiram juntos, da simplicidade das manhãs e sentiu uma quase vontade de ficar.
Mas não queria, não podia, não devia...
A gente sempre sabe quando é hora de ir. Um sorriso largado no chão, uma alegria presa na garganta, um amor se transformando em qualquer outra coisa, dessas dificeis de explicar mas que machucam lá no fundo do peito, mais que qualquer outra ferida.
Ela sabia que o amor nunca ia acabar, mas que podia mudar, desse jeito mesmo, como já estava mudando.
Aí, ela pegou as coisas, chorou um pouco e foi, sem saber pra onde, nem sequer se ia voltar.
Muitas coisas dispensam respostas imediatas. Mas precisam acontecer... mesmo assim.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Auto-Retrato

- Olha, eu sei que tá meio tarde mas tô ligando só pra te dizer que eu entreguei os pontos. Como assim que pontos? Esses que a gente foi costurando pra tentar construir essas coisas que as pessoas chamam de amor e que eu, por vezes, prefiro chamar de silêncio. Tava até dando pra suportar mas quando fui reparar vi que tá ficando remendado demais sabe? Esse negócio de ter que saber e ter que aprender um punhado de coisas, não me cai bem. Eu não consigo, eu não tenho paciência, eu não sei lidar com as pessoas nem com a tua vida nem com essa chuva forte nem com essa nuvem cinza pairando em cima da gente. Como assim você não vê? Tá aqui, extensa, grande, flutuando nas coisas que a gente construiu. Não é exagero, só você não consegue perceber. E eu tô cansada! Sim, eu já sabia que você não teria o que dizer e que se a insatisfação é minha, sou eu que devo pegar minhas coisas e ir embora e me virar e procurar meu jeito de chorar menos e encontrar minha própria felicidade. Mas num é tão simples assim você entende? Você tinha que dizer que sente muito, que eu não posso te deixar, que vai ficar triste sem mim, que as coisas vão mudar e que essa nuvem vai sumir aos poucos ou até de uma vez... só depende de você. 
 (...)
Eu vou desligar o telefone e num volto hoje pra casa. Tá um frio do lado de fora que só de pensar em abrir a porta e tudo se misturando aqui dentro e essa nuvem que não vai embora, que insiste em ficar e que vai tomando conta da minha alegria e das minhas vontades e da minha graça de continuar costurando nossa simplicidade, vai acabar me consumindo! E a gente não precisa disso! Não, eu não preciso de tratamento: eu preciso é de você.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Quando não sabe, a gente aprende...

tem chovido muito nos lados de cá. Vez enquando faz um frio!
ando um pouco exausta... e às vezes me pego sem chão, mas sempre respirando fundo, pra ninguém perceber o quanto eu me permito doer...
vivo numa luta diária. comigo mesma, pelejando pra não desistir.
Esse silêncio, essa (s) saudade (s), esse tempo que consome, essas ausências sem fim...
Outro dia, uma pessoa muito querida me perguntou sobre felicidade e a gente conclui, que por sorte ou falta dela, a gente nunca conseguiu ser feliz na companhia do outro sem pensar no tempo.
E ele nos traiu, assim como seres humanos traem, e como a gente não esperava.
Acho que ainda não é aqui sabe? Não é aqui que eu quero ficar... não é aqui que eu quero aprender a ficar.
Porque tem um mundo tão bonito lá fora e eu não conheço nem metade dele, que não sejam fotografias.
E eu quero conhecer, antes que fique preto e branco e envelheça... eu preciso.

Pedi a ele que me desse um Pai Nosso com três Ave-Marias.
Mas que tolice a minha! Ele não sabe rezar...





segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Sobre o tempo...

... aí descobres que o sol não é um planeta e sim uma estrela.
E começa a perceber que o tempo passa independentemente do quanto se dedica a ele.
Aprenderás com as superficialidades da vida, que nada dura pra sempre.
Nem os momentos mais intensos são eternos.
Verás no movimento dos dias passando, o fio fino entre a destreza e a delicadeza...
Aprenderás com a dureza e riqueza dos dias, que o mais importante ainda são os sonhos construídos, idealizados e realizados com amor...
Sentirás desejos e vontades, dentre ir embora e ficar; dentre ficar só e não suportar a solidão; dentre nunca mais voltar e ficar um pouco mais até amanhã...
Encontrarás vários caminhos e nenhum deles será certo. Vai descobrir dura ou docemente, que na vida não existe certo e nem errado e sim as nossas cruas e individuais escolhas.
Entenderás que as estrelas vão estar sempre no mesmo lugar, até nas piores tempestades.
Somos nós que giramos... somos nós que cavamos e levantamos as paredes de nossas construções.
Sentirás vontade de voltar no tempo e perceberás que passou e que o que resta agora é uma leve esperança e crença no amanhã...
Vai chorar e entender que a solidão é bonita e reconfortante, apesar de...
Vai abrir os braços, livrar-se da rotina dos costumes ao menos por dentro, ao menos de coração.
Descobrirás na leveza dos dias, as doçuras e armadilhas da própria vida...
Abrirás as portas e janelas e num respiro fundo, entenderás o quanto dói e o quanto é tudo tão bonito e ao mesmo tempo...

quarta-feira, 13 de outubro de 2010