Enquanto o tempo ia passando, a chuva batia na janela e entrava aos poucos molhando o chão da sala.
Sentada no sofá, a menina olhava com olhos tristes cada gota que conseguia entrar.
Não que estivesse triste por inteiro, mas essa tristeza nos olhos fazia com que tudo em volta entristecesse também...
"A gente costuma dar tanta importância pra tristeza, que até esquece de tudo que é felicidade."
"É que a tristeza vem ligeira, e é por vezes tão forte e envolvente, que toma conta dos nossos olhos. E quando toma conta dos olhos, há apenas de se conformar e esperar passar."
É que tudo na vida passa... e enquanto não passa, a gente vê o tempo enquanto pensa no que fazer.
A menina via o tempo todos os dias...
é que ele costumava passear no quintal dela todas as tardes.
Era só aí que se viam... era só aí que ela conseguia sentir como se o tempo batesse em sua porta sem esperar autorização pra entrar...
Naquela tarde, no entanto, ele não apareceu.
"Deve ser porque choveu", pensava. "A chuva impediu que ele viesse".
"Mas que tem a chuva? É tempo! E não derrete como açúcar e sal."
E assim, ficava sem entender porque por vezes tudo exageradamente se fechava como céu em dia nulado.
Pois tem dias que se colhe flores... e outros que se planta dor.
E da janela dela, aquela chuva poderia lavar qualquer alma!
No entanto, ela preferia só olhar...



