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quinta-feira, 15 de julho de 2010

Pensando no que fazer

Enquanto o tempo ia passando, a chuva batia na janela e entrava aos poucos molhando o chão da sala.
Sentada no sofá, a menina olhava com olhos tristes cada gota que conseguia entrar.
Não que estivesse triste por inteiro, mas essa tristeza nos olhos fazia com que tudo em volta entristecesse também...
"A gente costuma dar tanta importância pra tristeza, que até esquece de tudo que é felicidade."
"É que a tristeza vem ligeira, e é por vezes tão forte e envolvente, que toma conta dos nossos olhos. E quando toma conta dos olhos, há apenas de se conformar e esperar passar."

É que tudo na vida passa... e enquanto não passa, a gente vê o tempo enquanto pensa no que fazer.
A menina via o tempo todos os dias...
é que ele costumava passear no quintal dela todas as tardes.
Era só aí que se viam... era só aí que ela conseguia sentir como se o tempo batesse em sua porta sem esperar autorização pra entrar...
Naquela tarde, no entanto, ele não apareceu.
"Deve ser porque choveu", pensava. "A chuva impediu que ele viesse".
"Mas que tem a chuva? É tempo! E não derrete como açúcar e sal."
E assim, ficava sem entender porque por vezes tudo exageradamente se fechava como céu em dia nulado.
Pois tem dias que se colhe flores... e outros que se planta dor.
E da janela dela, aquela chuva poderia lavar qualquer alma!
No entanto, ela preferia só olhar...




domingo, 11 de julho de 2010

Guarda- chuva...


Ando com dificuldade para escrever...
Nem é falta de tempo não. É dificuldade mesmo.
...talvez por falta de inspiração...
Ou talvez porque o amor é mais poético quando é triste.
E ultimamente tenho ficado feliz...
Mesmo com o turbilhão de coisas bagunçando meu caminho e minhas decisões, tenho conseguido sorrir...
Talvez por isso os textos bonitos e que algumas pessoas se identificavam tanto não estão mais aqui.
Porque talvez pela única vez e mesmo que seja só por enquanto, o amor tem me feito feliz.
Tem me salvado da solidão das sextas- feiras...
Tem me tirado do tédio das tardes de sábado...
Tem me dado sorrisos nas manhãs de domingo...
Tem me curado as dores, me secado as lágrimas, me feito acreditar...
E mesmo que amanhã o amor resolva me abandonar (como sempre aconteceu), ele me deixará ao menos as lembranças doces...
com gosto de café e chocolate, com a clareza e simplicidade de desenhos em nuvens, com a segurança e proteção vinda num único abraço, com a mão estendida pra atravessar a rua, com um jeito sem jeito de me fazer rir, com os olhos cheios de orgulho e um coração cheio de carinho...
Sabe, eu acredito nas coisas que podem dar certo.
Assim como sei muito bem que podem errar e machucar demais... (a gente nunca sabe quem são as pessoas ao certo e enfim.)
Mas enquanto tiver tempo e vento, a gente vai caminhado do lado se acertando aos poucos, preenchendo com presente os espaços vazios que o passado abriu...
Porque hoje, não quero mais janelas nem portas fechadas: quero só que meus olhos abertos cuidem do nosso caminho e que meu coração sorridente, cuide dos nossos prazos de validade e não deixe nunca vencer nem estragar...

Ando sem inspiração eu acho...
Devo ter deixado ela de lado...
Pra dar espaço pra encher meu guarda- chuva de coraçõezinhos...

sexta-feira, 9 de julho de 2010

De coração...

 (...)
- Fica tranquila se puder. O que você precisa agora é ficar em paz.
- Obrigada. Prometo que vou tentar.
- Vai tomar um sorvete quando sair do trabalho! =)
- Vou sim. Andar e pensar um pouco também.
- Promete que vai ficar bem?
- Prometo!
- Volto mais tarde pra falar com você e saber como tudo está.
- Tá bem. Me chama se eu não te ver...
- Pode deixar que chamo sim.Vou tentar te ajudar no que puder, mesmo do lado de cá...
(...)

Obrigada por tudo! Sempre...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Assim seja...

...e que essa vontade de sorrir
seja maior que qualquer desejo alheio
de fazer me chorar...

domingo, 6 de junho de 2010

Estranho...

Não escolhi assim, mas é assim que tenho vivido...
Retirei toda emoção que havia em mim, como se ela pudesse, um dia, me salvar da mágoa das coisas que tem um fim.
E o fim veio.
De mãos dadas com os sonhos, planos e considerações.
E me pegou acordando ainda!
E me acordou sem me deixar mais dormir.
O fato, é que aconteça o que acontecer!
E eu não sei mais pra onde ir.
Me poupei aquele sorriso como se ele tivesse sido feito pra ferir.
Me guardei daquele brilho como se ele viesse pra ofuscar o seu.
E hoje não há um lugar ou salvação.
Poupo...
Esqueço...
Morro aos poucos porque mais uma vez não vi o sol nascer.
Morro, pois que seja infinito um recomeço, que não doa, não machuque, que não envelheça...
Já que amanhã é outro dia...
Põe a máscara do ante ontem e vai brincar de seja lá o que fôr aí dentro, onde não há carnaval.
Já que teu samba não canta mais amor.
Já que teu choro não chora quase mais nenhuma dor.
Põe o sorriso na cara, deixa que a tristeza faça morada só no teu coração.
Já que tens a desculpa do inverno, pra dar ao mundo o motivo pra essa frieza.
Já que depois disso tudo ainda tem a primavera, embora prefiras o outono, que em breve o tempo também irá levar...

terça-feira, 25 de maio de 2010

Quando inverno vier...

Era primavera quando ele chegou e ela o recebeu de braços abertos.
O convidou para ficar durante todo o verão...
Preparou um chá com bolachas, mesmo não gostando muito de chá.
Lhe contou das alegrias da vida, dividiu filmes e canções, contou dos sonhos e alguns segredos, mostrou algumas cores, falou sobre seus medos, lhe mostrou primeiro as primeiras palavras que escreveu.
Ele se sentou ao lado dela e ficou por três verões. Falou que lá chove sempre, a convidou para um pic nic e lhe ofereceu um guarda- chuva, apresentou sua banda, falou sobre medos em comum, mostrou algumas fotos e trabalhava demais.
Ela se apaixonou de cór.
Ele, falava pouco de si.
E enquanto ela lhe escrevia poemas, ele lhe dedicava cores em fotografias.
E enquanto ela lhe pintava borboletas em uma tela, ele lhe enviava sorrisos em borboletas vivas que pousavam no quintal...
Era tudo tão bonito! Que as estações quando chegavam, não queriam passar. E em cada época que passavam, esperavam anciosas a época de voltar...


Era o segundo outono quando ele foi embora.
Pediu um chocolate gelado e nem sequer olhou pra trás.
Ela, ficou sem saber o que fazer, embora já soubesse desde o terceiro verão que a doçura estava se perdendo...
E que embora verde e vermelho combinem tanto, às vezes entrava o amarelo, o laranja, o roxo... modificando os tons.
Lhe escreveu alguns poemas, e chegou a transformar algumas palavras em carta, só pra ele saber...
Não sabe sequer se ele leu, mas sabe muito bem que ele não respondeu.
Passou por alguns processos de desamargura, até purificar o próprio coração, que sentia tanta dor...
Aprendeu por linhas tortas a arte da vida enquanto recuperava os sonhos que ele guardou na mala e levou embora sem perceber.
Hoje, ainda é outono e ela ainda lembra os tropeços, os desgastes, as desilusões.
Não deseja mais reviver o que passou, mas deposita todas as cores que restaram nas estações que estão por vir...
Pediu um chocolate quente pra esquentar o frio.
Pediu uma chance nova para comemorar a liberdade que, enfim, deu a seu próprio coração...

domingo, 16 de maio de 2010

Abraço.



... bastava um abraço, que nunca vinha na hora certa.
Mas dessa vez veio... e durou o tempo que deveria durar...
Quanto eu não sei dizer ao certo.
... mas foi o suficiente para fazê-la feliz.

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Direção

- Onde você vai?
- Não sei. Tá fazendo tanto frio aqui!
- Separei uns cobertores. Pode pegar se quiser.
- Não vai adiantar. Não é fora. É dentro...
- E continua doendo?
- Sim. Dói como se nunca tivesse parado de doer um dia. Mas não é a mesma dor... é também solidão.
- E bem que tentei te avisar que era perigoso.
- Perigoso acho que nem é. Mas arriscado sim. Dizem que viver é correr riscos. Às vezes eu queria morrer então...
- Não quero que você morra!
- Mas às vezes é preciso... não morrer por inteiro, mas ir matando aos poucos, todo resto que a gente carrega por dentro.
- Você fala do passado?
- Também. Mas cabem os pesos do presente, que a gente insiste em carregar. E se não desfizer logo, corre o risco de ter que levar pro resto da vida...
- Não consigo entender...
- São as pessoas... que insistem em partir nosso coração em pedacinhos, sem nos dar Super Bonder pra colar.
- Será que teria como pedir pra Deus mandar as pessoas pro mundo carregando kits de primeiros socorros?
- Ele não conseguiria entender...
- Eu também não entendo
- Acontece que a gente tem um coração. E ele é a única garantia que podemos ter de que a vida continua passando e pulsando. Por isso a gente sente quando ele bate forte... por isso quando a gente coloca a mão no peito, consegue sentir ele batendo. São sinais de vida dentro da gente... ele bate pra gente não esquecer.
- E quando as pessoas partem ele, me explica como ele ainda consegue bater!
- Ele continua batendo pra nos mostrar que mesmo em pedaços, a vida ainda existe. Mesmo entre dores e mágoas, a vida e o tempo não param.
- Continua frio?
- Sim. Preciso de algo quente pra me animar...
- Serve chá?
- Prefiro outro coração... pra ficar bem junto do meu, e me ensinar essa coisa de gostar outra vez. Porque hoje eu não sei mais...

domingo, 25 de abril de 2010

Da janela...




Vai fotografando tudo....

... que encontrar pelo caminho...
(primeiro trevo de Itaúna, MG)


... pra que não esqueça e todos vejam...



... que o céu daqui é mais azul.


sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lá.

Ela devia ter segurado a mão dele com toda força, enquanto ainda havia tempo.
Na verdade, tempo ainda há... ainda se tem uma vida inteira.
Mas às vezes, parece que o tempo venceu e parou, que nem relógio estragado, que o ponteiro não sai mais do lugar.
Em compensação, força ela ainda tem aos montes.
Que de vez enquando dorme, escapole, foge...
Aí quando é assim, quem precisa fugir é ela...
Da bagunça, da cobrança, do caos, do desespero, da agonia, do amontoado de vida e de pessoas.
Só pra repousar num cantinho qualquer, onde a vida é tão tranquila quanto um dia era.
Onde a vida é desastre e calmaria, onde tem colo pra guardar o coração.
Lá, tempo ruim é chuva e trovoadas. E só.
Tem espaço pra muita cor, pra renascer, pra pensar, pra esquecer e lembrar...
Onde tudo parece se reafirmar com a total força do universo inteiro!
Onde ainda dá pra sonhar os sonhos mais absurdos... onde ainda há espaço pros sonhos dela.

domingo, 18 de abril de 2010

Das surpresas

De repente, um novo velho som lhe chama atenção.
Em fração de segundos, tudo voltou a mente como se nunca tivesse saído de lá.
Tão automático como nunca foi.
Um jogo de perguntas e respostas curtas marcando o início.
Tempo, demora, desgaste.
E por mais que doesse, ela quis ficar.
Tinha que descobrir de onde vinha o gosto do desgosto.
Se era de dentro dela, se era das palavras indiretas, se era dos sentimentos incompletos.
Aos poucos, o pouco foi se rompendo.
O resto foi virando nada, a mágoa foi virando dor.
Em que momento teria se perdido?
Alguém falou do tempo? Das horas? Do sentimento?
Alguém marcou no relógio?
Não... ninguém sabia onde as cores tinham ficado.
Mas mesmo assim, de vez enquando parecia que a noite queria lhes devolver o que ficou perdido...
... pelo menos antes do dia acabar...

[ao som de 'Special Needs', Placebo]

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Um passo.

"Repara que o outono é mais uma estação da alma que da natureza" W. Shakespeare


... ali, na próxima esquina, depois do número 458, ela encontrou um jardim.
Ela, que tinha aprendido a não viver de metades, já não conhecia mais os inteiros.
Tentava viver como se nada faltasse.
Percebeu que talvez estivesse na vida errada.
E que tentar ou não tentar poderia terminar no mesmo vazio.
... vazio de alma, vazio de sentimento, vazio de coração.
Ela sorriu pra quem quisesse ver.
E chorou pra quem perguntou como as coisas estavam.
Ali, no jardim que encontrou, ela encostou a cabeça na grama embaixo da árvore e cochilou.
Cochilou pra descansar o peso das costas, pra tentar sonhar um sonho bom e guardado, pra não repensar suas escolhas.
Quase ninguém percebeu que ela doía por dentro.
Doía por dentro, chorava de vez enquando e continuava vivendo.
Teve vontade de parar algumas vezes.
Mas se ela não saísse pra colher borboletas todas as manhãs, só teria outono outra vez daqui mais de 365 dias.
Por isso ela levantou.
Por isso ela sorria pra fora e chorava pra dentro.
Por isso ela preferiu jogar fora sua coleção de rosas e começar a colecionar solidão.
Era verão quando tudo foi embora.
Agora já é outono e tudo! e quase nada...
... mudou.

terça-feira, 30 de março de 2010

Arco-íris

- Ontem à tarde tinha arco-íris, você viu?
- Não. Acho que as cores daí não conseguem alcançar aqui.
- Achei que arco-íris ia para todo lugar.
- Não entendo muito bem de arco-íris. Apenas gosto, pelas cores...
- Me lembrei de você.
- E ele pode bem ter chegado aqui e eu só não ter visto. Ando tão distraída e no jornal não há janelas.
- Pensei em você.
- Vou dormir.
- Resolvi que vou te visitar em breve.
- Boa noite pra você também.
- Acho que vai ser bom te ver.
- Não sei.
- Pois eu sei que será bom pra mim.
- Pois eu não sei se será pra mim...

segunda-feira, 15 de março de 2010

É teu...

- Trouxe pra você.
- O que é?
- Abra!


Depois de alguns minutos...


- Neste cd estão todas as músicas que escolhi pra você nesses dois anos. No caderno, todos os textos que te escrevi. Nos envelopes, todas as palavras que queria ter dito mas que só consegui escrever. Nessa caixinha menor, do lado direito, estão as fotos que imprimi pra nunca esquecer o seu rosto. Na agenda do lado, seus números de telefone porque apesar de tê-los decorado, quero não precisar deles nunca mais.
- Por que está me dando tudo isso?
- Porque preciso me livrar de você. Isso já está guardado comigo a muito tempo. E toda vez que volto pra casa fico triste quando vejo isso tudo lá. Então, neste último fim de semana resolvi guardar tudo nessa caixa e te devolver. Não é mais meu. É seu agora.
- Por isso você veio aqui?
- Sim. Eu precisava te ver. Não dava pra mandar pelo correio.
- Não sei o que te dizer.
- Não precisa dizer nada. Só ouça as canções.
- Também tenho algo pra você.
- O quê?
- O quadro e todo seu amor por mim. Quero te devolver.
- Não. Fique com tudo. Não preciso de mais nada. Eu só precisei de você o tempo todo. mas agora não tenho mais tempo nenhum...

domingo, 14 de março de 2010

Antecipando as estações...

... o mês de agosto parecia já ter chegado
de tanto que ventava lá fora.
outono? ainda não era. Mas era quase.
Da janela entreaberta, dava pra ver o céu azul com algumas nuvens e ouvir as folhas que dançavam no ritmo do vento.
Do lado de dentro, ela ainda sorria...
sorria uma vontade grande de sonhos a realizar.
sorria um amor imenso que trazia no coração.
sorria um sorriso calmo de quem se sentia em casa outra vez.
E ao mesmo tempo em que sorria, ela também chorava.
chorava uma saudade que já doía.
chorava a falta que sentia de alguém e de alguns meses atrás.
chorava a hora de mais tarde ter que ir embora...

É certo que faltavam ainda muitas rodas- gigantes pra rodar.
E o tempo ia continuar passando.
E as coisas? Essas, iam enfim entrar em seus lugares pra bagunçar outras e assim seguir em frente.
Era hora de fechar a janela, apagar a luz e voltar pra vida de agora deixando no quarto escuro todas as lembranças e vontades que a volta lhe despertou.
Porque as águas de março vão logo fechar o verão
E ela? Tem esperado o outono e só...
Porque não cabe mais.
E ela está triste demais por se lembrar.
... e aceitar...

segunda-feira, 1 de março de 2010

A gente nunca sabe até quando vai suportar.

... os azulejos eram azuis.
e as janelas brancas.
Não tinha montanha aquela manhã.
Tinha só uma nuvem grande encobrindo tudo.
E ela sorriu.
Fazia tempo que não sentia tanto frio!

- Deve ser a chuva que caiu esta madrugada!
- E choveu?
- Sim! Você não viu?
- Não. Eu sonhei.
- Sonhou com o quê?
- Não sei. Não me lembro.
- Pedi que colocassem mais fotografias nas paredes, você viu?
- Por que você fez isso?
- Porque achei que você fosse gostar.
- Eu gostei.
- Promete que vai deixar que eu fique com as lembranças quando fôr embora?
- Mas eu não vou embora!
- A gente nunca sabe até quando vai suportar a solidão. 
- Eu sei!
- Sabe?
- Sei que sem você serei sempre só. Mesmo que com você eu também seja.
- Já falei o quanto gosto de você?
- Não sei. Não me lembro.
- Eu gosto de você.
- Obrigada.
- Por que?
- Por existir...


terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Quebra-cabeça...

Ainda tinha muitas peças pra juntar naquele quebra-cabeça que era a vida dela.
E foi tudo acontecendo tão depressa, que quanto mais acontecia, mais parecia impossível de juntar.
Mas com muita paciência ela foi montando tudo, tentando achar as peças que faltavam.
Às vezes encaixava algo errado, achando que o azul do céu era o mesmo do mar ou que o verde da grama era também o verde das folhas das árvores.
E quando percebia que um era diferente do outro (porque nem num quebra-cabeça as coisas são 100% iguais), tratava logo de voltar atrás.
Retirar peça por peça, recomeçar, reconstruir.
Sabia que quanto mais ela errasse as peças, mais tempo ela iria perder... mas mais coisas iria aprender. E mais chances teria de se conhecer...
Entendeu então, que a chave de tudo (se é que ela existe) está em não deixar as peças nos lugares errados.
É preciso parar, voltar atrás e tentar achar soluções.
Porque toda peça de quebra-cabeça tem um lugar certo.
E tudo na vida também tem.
E por mais que agora as coisas estejam meio bagunçadas e as peças um tanto fora de lugar, uma hora ela aprende que é assim mesmo.
Que assim como existem dias bons, também existem os ruins.
E é nos ruins que as peças ficam mais perdidas!
E nos bons, é que elas encontram uma maneira de encontrar seu verdadeiro lugar.
Enquanto isso, o tempo passa.
Enquanto isso, ela ainda chora...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Pra onde ir...

... aí ela conheceu o moço que sorria com os olhos.
E que parecia tão inatingível quanto as estrelas mais altas penduradas no céu. 
Ela andava mesmo meio lá nem cá, desacreditada que só.
Ele? Trazia cores nas mãos e as fazia voar com leveza no meio das confusões das tardes.
Ela, que já tinha até o visto antes, sentiu vergonha de se aproximar. 
Mas correu e foi. 
Ele, assustado com a falta de jeito dela, sorriu e continuou a caminhar. 
A convidou pra sentar.
E no meio de perguntas, respostas e fotografias, ela encontrou alguns motivos pra se encantar.
E se encantou.
A menina das alegrias tristes encontrou alguém pra dedicar canções.
Sorriu. 
Voltou a sentir um sopro por dentro e continuou a caminhar.
Não podia parar. 
Não sabia se o encontraria outra vez.
Apenas sentiu que sim.
Naquela tarde, ela viu que o céu nunca tinha sido tão azul.
E que as coisas todas estavam em seus lugares.
O coração dela estava no lugar.
E a simplicidade do moço de sorriso nos olhos fez com que ela sentisse...
... outra vez.

"Só agora eu descobri
10 motivos pra sorrir
10 minutos pra me achar
10 segundos pra te ouvir"
Dez Segundos, Transmissor

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Guarda-sol...

"E quem prezou por nós,
E deu-te guarda-sol para não queimar o amor?"
Monograma
 
- O que aconteceu dessa vez?
- Não sei. Tenho achado o mundo tão bonito!
- Olha! Fico feliz em saber disso.
- Ainda não sei se fico feliz ou triste. Sei só que foi melhor assim.
- Como assim? O que "foi melhor assim"?
- Foi melhor esquecer e perceber o quanto de tempo eu perdi. Me dá aqui dentro uma certa tristeza em pensar. Mas dizem que é só não pensar mais e é isso que estou tentando fazer.
- Também acho que foi melhor assim. As coisas não mereciam ser como estavam sendo.
- Eu pensei sabe. Outro dia me debrucei na janela e fiquei olhando pras estrelas esperando que elas me dessem alguma resposta. Queria entender por que ele nunca entendeu que as coisas podiam ser bem mais simples. Era só ele aprender a ver...
- Acho que é você quem aprendeu a ver dessa vez.
- Sim. Aprendi. Queria tanto que tivesse dado certo! Mas quando não deu, é que reaprendi a olhar pro mundo.Percebi que existe tanta coisa legal! Tanta coisa bonita! E que todas essas tantas coisas estavam passando tão despercebidas que me deu vontade de chorar. Me doeu deixar a vida passar na minha frente sem segurá-la com toda minha força. Recolhi então, todos os caquinhos que restaram no chão e fui! Não deixei nada. Tudo já tinha ficado pra trás...
- E se ele sentir sua falta?
- Desejo do fundo do meu coração que ele seja feliz. Mas meu tempo anda meio sem espaço...
- Tempo? Espaço?
- Não há espaço nem tempo pra ele mais aqui dentro. Gastou tudo! Mas dessa vez vou comprar um guarda-sol...
- Guarda-sol?
- É! Pra proteger meu amor novo...
- Olha! Então você se apaixonou outra vez?
- Não não. Mas talvez o mundo tenha mais sorrisos do que eu imaginava. 
- Você e suas confusões.
- Não são confusões. São apenas quase certezas...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Dobraduras...

... aí ela dobrou o amor inteirinho!
Queria que ele coubesse na palma da mão, pra que então ela assumisse um controle sobre ele também.
Sempre achou que pudesse controlar todas as coisas, todos os sentimentos.
O amor não. O amor ela nunca controlou.
Aí dobrando, dobrando... ele foi despedaçando.
Podia-se encontrar pedaços dele num canto da sala, embaixo da cama, na gaveta do guarda-roupa, no caminho pro trabalho.
Até que ela conseguiu dar uma última dobra.
Dali em diante não pôde fazer mais nada.

A não ser olhar pra pequena dobradura que tinha nas mãos.
E então ela aprendeu que o amor se transforma.
O dela era agora um pássaro.Que ainda não sabia voar.
Mas que era tão bonito!
Que ela sentiu até dó de deixar ir embora.
Guardou o pássaro na palma da mão, apertando com toda força pra não fugir.
Ela não saberia o que fazer se ele fugisse!
Ela preferiu guardá-lo ali.
Ele também não saberia sobreviver longe dela...