sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

. é tempo, eu sei .

Uma hora ou outra, a gente aprende que algumas coisas – uma porção delas – foram feitas para não vingar. E, depois de se fechar em uma bolha fria e desconfortável por semanas, e de chorar por noites seguidas e intermináveis, descobre-se que o amanhã existe. E que é bonito. E que é nele que moram as esperanças de se construir um caminho mais leve que o de ontem e de usar palavras mais doces, como as da infância.
Chega uma hora que a gente tem que se devolver pra gente, antes de voltar a pertencer ao mundo. Parar de ver a vida passando desonestamente pela fresta da janela e fazer alguma coisa “pelo amor de Deus!” pra ser feliz outra vez. Deixar a felicidade entrar como ela quer e que fique o tempo que for preciso, para logo se iniciar outro ciclo. Parar de estender as duas mãos pro outro e cuidar um pouco do nosso coração com delicadeza. Porque o que a gente precisa mesmo é de tempo na vida pra entender os desenganos e perceber que eles eram o jeito certo da gente acontecer. E ter motivos pra ficar. E querer ficar... Ou ter forças e coragem pra ir. E desejar ir. Deixar-se ir...
A vida é feita desses pequenos instantes de coragem. Feita de noites que adormecem tristes e de tardes que se põem num pequeno sorriso de “agora sim tudo está em seu lugar”. E sentir como se estivesse soprado um vento fresco depois da avalanche, do furacão e da tempestade que viraram o mundo de cabeça pra baixo.
É tempo de sorrir. Abrir os olhos e perceber que é tempo de recomeço...