é bem verdade, por mais que ela me doa, que ando perdendo um pouco a habilidade com as palavras. Não sei se é porque tenho tentado exercitar a arte de vivê-las ao invés de apenas escrevê-las ou se perdi o jeito mesmo por talvez uma pequena falta de prática.
Faz bem pouco tempo, uma pessoa me disse que muitas vezes pareço me esconder nas coisas que escrevo. Não sei bem explicar mas é como se escrever fosse mais fácil que viver e nessas condições, acho que minha vida foi se tornando meio contraditória e sem cor...
Chegando onde quero chegar com esse post (não sei se da maneira como ele merece ser), no último fim de semana, aproveitei o feriado para conhecer São José do Jacuri, uma cidadezinha típica de interior, com uma rua principal e outras poucas distribuidas ao longo dela. O frio a noite, o sorriso no rosto das pessoas sempre acompanhado de um bom dia, um boa tarde ou qualquer outro cumprimento, me possibilitaram fazer daquele lugar um pouco meu, já que há tempos, não era tão bem recebida nem tão feliz como fui nesses quatro dias.
Da varanda da casa azul, as montanhas bem na minha frente, um silêncio, o ar puro, um vento leve, eu vi como é fácil viver.
Percebi, e só hoje posso dizer com propriedade, que a minha felicidade é estranha, silenciosa, quieta e quase solitária. Mas existe sempre comigo, manifestando-se apenas quando acha que deve, pra não se criar indefesa, aparecendo um pouco (e principalmente) nas simplicidades raras nos dias de hoje.
E eu podia ficar aqui, dizendo milhares de maravilhas e tentando explicar todas se eu não tivesse compreendido que algumas vezes, a gente não precisa muito mais que sentir a delicadeza presa nos momentos e guardá-los nos arquivos da memória como se fossem nosso maior tesouro! Porque realmente são...
E mesmo que a gente não consiga ser feliz o tempo todo (porque ninguém consegue), é sempre bom saber que se tem um cantinho onde o tempo passa mais devagar, as estrelas ficam quase ao alcance das mãos e a simplicidade existe, com todas as suas suavidades e prazeres. Todo mundo precisa de um refúgio... e nesses quatro últimos dias, eu conheci o meu.