... de longe, ver o pedágio já é sinal de 'estar chegando'...
e ao chegar, percebi que as coisas quase continuavam as mesmas.
exceto por uma ou duas lojas novas na rua principal e a cor nova no muro da casa da esquina.
no ônibus, do centro pra casa, não se entra mais pela porta de trás e as pessoas parecem nem ter gostado muito da novidade (acho que aqui o povo num gosta muito de andar pra trás).
Pela rua revi pessoas e matei saudade...
E a praça principal? Continuava do mesmo jeitinho que deixei...
Em casa, a TV tinha trocado de parede, o sofá mudado de cor, a velha máquina de costura na segunda sala parecia mais nova.
Mamãe estava no mesmo lugar e sorria do mesmo jeito.
Com irmã, dessa vez nem brigamos... acho que a gente descobriu a saudade.
Quis parar o tempo. Não o tempo agora, mas o tempo antes...
Queria voltar e parar nos meus dias de outono...
Sair de novo com dia claro pra trabalhar e só voltar pra casa com o dia começando a dormir.
Passar na casa da Aline nas quartas, subir de elevador pelos andares do prédio mais alto daqui nas sextas a noite pras aulas de violino, passar minhas tardes de sábado ensaiando com a orquestra, passar todos os meus horários de almoço conversando com o Tom, sair nas tardes de domingo pra tomar sorvete na Toc Frio ou conversar filosoficamente com o Gui...
Hoje eu aprendi que algumas partes da vida são feitas de escolhas e eu fiz as minhas... consciente ou não.
Hoje, percebi que na verdade, algumas coisas não são mesmo como eram antes...
Os amigos não são os mesmos...
as histórias deles já não são mais as minhas e nem me cabem mais.
Já não há mais tempo pras tardes de domingo e o Gui está longe demais pra me ouvir.
O Tom cresceu e as responsabilidades também. Temos nos falado pouco.
Construiram outros prédios maiores e o meu ficou pequeno demais.
Já não tenho mais quartas, nem orquestra, nem violino...
Doeu.
O amor pela família permanecia. E o deles por mim também. E isso sim me tranquilizou...
Percebi que o tempo tinha passado... e eu nem tinha reparado.
Me senti estranha. E sem saber muito o que fazer.
E um amigo especial, chamaria isso de fase de manutenção. E acho que entrei nela...
Chegar... e logo é hora de ir embora outra vez.
Mas dessa vez, vou com muita coisa comigo.
E talvez, a saudade vá ainda maior.
E demore a passar....
[tenho uma foto pra colocar amanhã... mas a bateria da máquina acabou.]