sexta-feira, 2 de abril de 2010

Aqui...

... de longe, ver o pedágio já é sinal de 'estar chegando'...
e ao chegar, percebi que as coisas quase continuavam as mesmas.
exceto por uma ou duas lojas novas na rua principal e a cor nova no muro da casa da esquina.
no ônibus, do centro pra casa, não se entra mais pela porta de trás e as pessoas parecem nem ter gostado muito da novidade (acho que aqui o povo num gosta muito de andar pra trás).
Pela rua revi pessoas e matei saudade... 
E a praça principal? Continuava do mesmo jeitinho que deixei...
Em casa, a TV tinha trocado de parede, o sofá mudado de cor, a velha máquina de costura na segunda sala parecia mais nova.
Mamãe estava no mesmo lugar e sorria do mesmo jeito.
Com irmã, dessa vez nem brigamos... acho que a gente descobriu a saudade.
Quis parar o tempo. Não o tempo agora, mas o tempo antes...
Queria voltar e parar nos meus dias de outono...
Sair de novo com dia claro pra trabalhar e só voltar pra casa com o dia começando a dormir.
Passar na casa da Aline nas quartas, subir de elevador pelos andares do prédio mais alto daqui nas sextas a noite pras aulas de violino, passar minhas tardes de sábado ensaiando com a orquestra, passar todos os meus horários de almoço conversando com o Tom, sair nas tardes de domingo pra tomar sorvete na Toc Frio ou conversar filosoficamente com o Gui...
Hoje eu aprendi que algumas partes da vida são feitas de escolhas e eu fiz as minhas... consciente ou não.
Hoje, percebi que na verdade, algumas coisas não são mesmo como eram antes...
Os amigos não são os mesmos...
as histórias deles já não são mais as minhas e nem me cabem mais.
Já não há mais tempo pras tardes de domingo e o Gui está longe demais pra me ouvir.
O Tom cresceu e as responsabilidades também. Temos nos falado pouco.
Construiram outros prédios maiores e o meu ficou pequeno demais.
Já não tenho mais quartas, nem orquestra, nem violino...
Doeu.
O amor pela família permanecia. E o deles por mim também. E isso sim me tranquilizou... 
Percebi que o tempo tinha passado... e eu nem tinha reparado.
Me senti estranha. E sem saber muito o que fazer.
E um amigo especial, chamaria isso de fase de manutenção. E acho que entrei nela...


Chegar... e logo é hora de ir embora outra vez.
Mas dessa vez, vou com muita coisa comigo.
E talvez, a saudade vá ainda maior.
E demore a passar....


[tenho uma foto pra colocar amanhã... mas a bateria da máquina acabou.]

4 comentários:

Natália Oliveira disse...

É de uma sensibilidade imensa esse texto. A forma como vc vê cada detalizinho, encantadora. É meio nostalgico também, ams realmente são escolhas. é que a vida da gente muda a cada instante também. A gente deixa coisas pra trás o tempo todo e as vezes as cosias ficam distantes mesmo e não só fisicamente. Acredite vc ou não, mesmo morando no mesmo lugar eu tbm sinto falta de algumas coisas que eu fazia antes e dos velhos amigos. Mas a vida é assim mesmo cheia de etapas. Como diria o Reinaldo a gente tá nos lugares e acho que até no tempo, só passando uma chuva. Saiba que você também conquistou e cativou amizades novas aqui. Agora você faz parte da nossa vidinha e espero que um dia vc vai sentir falta dos nossos lanches juntas. lá se vai mais uma chuva. vc é muito querida por aqui e também fico feliz quando vc chega. =)

João Killer disse...

Pense na saudade como um sentimento e que ele sempre vai nutrir seu coração com essa vontade de sempre retornar ao lar e ter sensibilidade suficiente pra vê como as coisas mudaram, como você mudou. Bom te ler mais uma vez.

Marcos Oliveira disse...

"Aqui..." é realmente texto maravilhoso, fiquei acompanhando com os olhos os seus passos saudosos..
As vezes sentimos saudades daquilo que num fundo nunca foi nosso....mas a gente bobo só percebe isso depois.Também tenho saudades...

Camila Sol disse...

Meus olhos se encheram e tive que concordar que "Hoje, percebi que na verdade, algumas coisas não são mesmo como eram antes...
Os amigos não são os mesmos...
as histórias deles já não são mais as minhas e nem me cabem mais".
triste, mas é verdade.
Mas pessoas aparecem em nossa vida com alguma missão...e isso, as vezes conforta.
Tudo oq ue vivemos serve para pensar que TEMOS QUE VIVER CADA DIA ITENSAMENTE E SEM MEDO. Um dia a gente ve que perdemos momentos e pessoas que não voltam.
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