terça-feira, 10 de julho de 2018

. reflexo .


vez enquando, naqueles dias em que tudo ameaça ser sombra, 
ouso tocar as estrelas com a ponta dos olhos.
os mesmos, que se apertam míopes pra enxergar distâncias, que se comovem com letras de amor, que se encantam pra alcançar os teus.
desenho pequenezas no vento, na esperança de 
que toquem teu rosto onde quer que esteja.

sente? sente daí essa brisa fresca do entardecer de um inverno tropical,
 fazendo carinho na ponta do teu nariz?
sente como é frágil viver entre sombras, tempo e canções?

sou mais do silêncio que da prosa. 
mais do verso que da companhia. 
mais da vida que do amor.

guardo ilusões de espaço, cor e outono, pros dias em que não sei viver direito. 
e também para aqueles em que sei...
tenho coração disperso. e infinito na horizontal, como água correndo no mar.

mas quando ouço do teu peito, aquele tempo sobre pisar folhas secas e colorir o mundo com todos os tons de azul, me esqueço. 
e muitas vezes quase adormeço, na delicadeza que paira, 
vinda do teu jeito simples de existir...