Guarda-sol...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

"E quem prezou por nós,
E deu-te guarda-sol para não queimar o amor?"
Monograma
 
- O que aconteceu dessa vez?
- Não sei. Tenho achado o mundo tão bonito!
- Olha! Fico feliz em saber disso.
- Ainda não sei se fico feliz ou triste. Sei só que foi melhor assim.
- Como assim? O que "foi melhor assim"?
- Foi melhor esquecer e perceber o quanto de tempo eu perdi. Me dá aqui dentro uma certa tristeza em pensar. Mas dizem que é só não pensar mais e é isso que estou tentando fazer.
- Também acho que foi melhor assim. As coisas não mereciam ser como estavam sendo.
- Eu pensei sabe. Outro dia me debrucei na janela e fiquei olhando pras estrelas esperando que elas me dessem alguma resposta. Queria entender por que ele nunca entendeu que as coisas podiam ser bem mais simples. Era só ele aprender a ver...
- Acho que é você quem aprendeu a ver dessa vez.
- Sim. Aprendi. Queria tanto que tivesse dado certo! Mas quando não deu, é que reaprendi a olhar pro mundo.Percebi que existe tanta coisa legal! Tanta coisa bonita! E que todas essas tantas coisas estavam passando tão despercebidas que me deu vontade de chorar. Me doeu deixar a vida passar na minha frente sem segurá-la com toda minha força. Recolhi então, todos os caquinhos que restaram no chão e fui! Não deixei nada. Tudo já tinha ficado pra trás...
- E se ele sentir sua falta?
- Desejo do fundo do meu coração que ele seja feliz. Mas meu tempo anda meio sem espaço...
- Tempo? Espaço?
- Não há espaço nem tempo pra ele mais aqui dentro. Gastou tudo! Mas dessa vez vou comprar um guarda-sol...
- Guarda-sol?
- É! Pra proteger meu amor novo...
- Olha! Então você se apaixonou outra vez?
- Não não. Mas talvez o mundo tenha mais sorrisos do que eu imaginava. 
- Você e suas confusões.
- Não são confusões. São apenas quase certezas...

Meias Trocadas...

"sigo o meu caminho e caminho só"


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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"Cheia de luz.
E o mais bonito foi quando ela descobriu, 
que podia ouvir e entender estrelas. 
Só quem ama pode."

Caio Fernando Abreu


Nota ao leitor.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

às vezes é assim: tudo enche, tudo cansa, tudo perde um pouco o sentido.
Aí aquelas coisas todas que você tinha planejado um dia, se realizam por metades.
E você se vê perguntando: "por que não por inteiro?" ou "por que isso e não aquilo?".
Não sei se há uma lógica pras coisas, assim como nos problemas matemáticos que sempre tem uma solução.
Hoje a tarde, um amigo veio me dizer que uma amiga dele gostou do As Cores Dela, mas que tem o achado um pouco triste ultimamente.
Eu não soube o que dizer... porque no fundo sei que ela não mentiu.
Então me comprometi em escrever coisas um pouco mais felizes de hoje em diante.
Mas as tristezas sempre estarão por aqui pois elas fazem parte de mim e são inevitáveis.
Talvez esses dias eu esteja cansada mesmo!
Cansada da correría, cansada de algumas pessoas, cansada de esperar sempre por algo que não vem.
Mas eu aprendi a ver coisas boas nos dias...
As manhãs na Teia; os almoços com Ana; as tardes no jornal; o café na padaria com amigos; o tchau do Fidel pelo vidro todas as tardes; a Praça da Liberdade no fim do dia, depois do trabalho com Ana e Nati; as pequenas coisas que são tão necessárias pra me fazer sorrir.
Hoje a noite, e só pra terminar o meu dia de tantas surpresas, duas senhoras sentaram ao meu lado no ponto de ônibus.
Falaram sobre o pai jornalista, sobre a beleza de escrever, sorriram...
E sem que eu falasse de cansaço ou tristeza, uma delas me olhou e disse:
"Está cansada? Ou está triste? Se fôr cansaço, durma bem quando chegar em casa. Se fôr tristeza, espero que passe logo. Mas não fique triste por outras pessoas. Fique triste só por você hoje. E então você vai perceber quantos motivos tem pra ser feliz. E vai sorrir de verdade."
Assim que ela terminou, o ônibus chegou. E eu não esqueci nenhuma palavra que ouvi...
Me despedi num sorriso e arrisquei um 'prazer em conhecer'.
Não sei se voltarei a vê-las em alguma esquina ou outro ponto de ônibus.
Talvez sim, algum dia... quando o coração precisar ouvir novamente certas verdades que fazem olhar pra frente e viver.
Isso não mudou meu cansaço nem meus enganos. Mas como disse o Marcos:
"As vezes é necessário se enganar para tocar a vida
Não dá pra sofrer com tudo que acontece de errado, então fingimos e tocamos o barco, aí chega uma hora que um monte de coisa acumula e brota. Mas é melhor que sofrer sempre".
Me desculpem se As Cores Dela tem andado um pouco triste.
Nos últimos dias acho até que ele ficou meio feliz.
Vai ver... é só questão de tempo.

Dobraduras...

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

... aí ela dobrou o amor inteirinho!
Queria que ele coubesse na palma da mão, pra que então ela assumisse um controle sobre ele também.
Sempre achou que pudesse controlar todas as coisas, todos os sentimentos.
O amor não. O amor ela nunca controlou.
Aí dobrando, dobrando... ele foi despedaçando.
Podia-se encontrar pedaços dele num canto da sala, embaixo da cama, na gaveta do guarda-roupa, no caminho pro trabalho.
Até que ela conseguiu dar uma última dobra.
Dali em diante não pôde fazer mais nada.

A não ser olhar pra pequena dobradura que tinha nas mãos.
E então ela aprendeu que o amor se transforma.
O dela era agora um pássaro.Que ainda não sabia voar.
Mas que era tão bonito!
Que ela sentiu até dó de deixar ir embora.
Guardou o pássaro na palma da mão, apertando com toda força pra não fugir.
Ela não saberia o que fazer se ele fugisse!
Ela preferiu guardá-lo ali.
Ele também não saberia sobreviver longe dela... 

Juntando os Retalhos

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

[esse texto foi baseado em uma conversa com a Nati sobre o casamento. quando ela me dizia que queria se casar e eu também disse que estava pensando nisso, mas nos questionavámos se isso iria acontecer. eis que o casamento, ou a junção dos trapos, se tornou o assunto da tarde. E nos rendeu muitos risos...]







A menina pequenina quer se casar.
Nem precisa ter véu, vestido branco ou rosas num buquê.
Basta ter um coração.
E carregar nele dois terços do amor maior do mundo.
Porque o resto dá pra inventar...
A casa nem precisa mais ser lilás.
Pode ser um apartamentozinho, pequenininho, organizado com tudo no lugar.
Um cantinho pra ela esperar o sorriso dele chegar cansado nas tardes de sexta-feira. 
E pra ele ver ela sair cedo com os olhos pequenininhos de quem ainda quer dormir só mais um pouquinho. 

Dá pra comprar um sofá vermelho e colocar na sala. Nem precisa ter TV.
Pras paredes brancas vão os quadros que ela pintar, só pra colorir.
Uma mesa com quatro cadeiras pra receber visitas, geladeira azul, um jogo com chaleira pro café.
Ao menos uma janela tem que ser pra rua, pra dar pra contar estrelas e ver o sol todos os dias.
Aos sábados dormirão até as onze. 
As tardes nunca vão ser planejadas (pra não virar nenhuma rotina qualquer).
E os domingos serão divididos com a família e os pic nics no parque (e só vão se lembrar da segunda quando amanhecer).
Ela quer mesmo se casar... juntar os trapos, as meias, os sonhos.
Achar alguém que seja simples e que cante desafinado a canção que ela mais gostar.
Nem precisa Padre, igreja, nem carro grande com latinhas fazendo barulho pelo caminho.
Só precisa existir. E ser pra sempre enquanto durar.
E que dure...
Dure pra compensar o tanto que ela tem esperado pra ele chegar.
Por mais que às vezes ela ache que ele nem vem.
Pensa que vai se formar, montar seu café, e que ele vai ficar perdido por aí.
É que ela mora num lugar muito longe. E vai até entender se ele não conseguir chegar...
Mas ele precisa pelo menos avisar que está a caminho.
Porque ela sabe que ele existe... em algum lugar.
Porque como dizem por aí, toda panela tem tampa!
E é por isso que ela anda pensando nessas coisas de casar.
Parece que chegou a hora da solidão do coração ter um fim.
E outra! Ela precisa de alguém pra dividir o mundo e os sonhos.
Ela precisa de alguém pra ajudá-la a sorrir vivendo a leveza das coisas simples e o peso das tristezas inevitáveis...
Sem se preocupar.

15 rosas...

domingo, 24 de janeiro de 2010

Esta madrugada voltei a colecionar rosas.
Elas são tão bonitas!
E jogar fora as 14 que já tinha ganhado, seria um tanto injusto e triste.
Ganhei a 15ª rosa esta madrugada...
Talvez essa tenha sido a mais vermelha de todas.
E a que mais me deu alegria em viver.
Não. Eu nem agradeci.
Dizem que não é preciso agradecer rosas com palavras.
A gente agradece com amor que há dentro do coração.
E se fôr assim, meu presente já está mais que agradecido...