quinta-feira, 17 de maio de 2018

. entre pausas .

sempre que o tempo passa pela fresta da minha janela, tenho de súbito um desejo de ir embora com ele. respirar teus versos de mar e tuas rimas de outono, perfumar de lavanda e alecrim o instante das esperas... desvencilhar-me dessas urgências, entender novamente que as doçuras são construídas com pouca pressa e toda a simplicidade dos olhares distraídos.

cabe em mim, sempre que o tempo me toma nos braços, uma ânsia de vento solto tirando os cabelos pra dançar. e uma vontade de ser livre sem ferir o gosto, de aprender sobre permanências sem desistir dos voos, de ousar pertencimentos e longas distâncias, só pelo zelo de voltar. entender também sobre lonjuras, traçar estratégias de pouso, ouvir canções que ousem alguma poesia, enquanto se desfazem os segundos entre todos os cantos que 'ainda são de mim'...

esse mesmo tempo (tão astuto!) que não usa sequer pedidos de licença nem qualquer formalidade, sopra às vezes aos meus ouvidos, tuas ideias de amor. justo a mim, que ainda que entre espantos e saudades, carrego cá meu jeito de delicadezas e minhas crenças fáceis no correr das estações, nos começos sem fins, nas chances infinitas de fazer morada noutros corações... 

quando ele chega e me atravessa (o amor, e não o tempo), entendo cá entre minhas incertezas, sobre a importância de manter abertas as janelas, ainda que só uma fresta...