sexta-feira, 19 de outubro de 2012

. quarto dia .

não sei o porque daquele abraço eufórico, cheio de (como você mesma disse) saudade. talvez fosse bom dizer que era mesmo isso, essa coisa que a gente sente só por quem gosta, mas aí eu teria que me explicar demais e, no fundo, eu só queria um pouco de sossego, uma cerveja gelada e alguém pra ouvir minhas novas histórias pelas próximas horas. era pra isso que você me servia, então. Uma boa ouvinte para minha vidinha meia boca, precisando dar uma renovada, uma virada, um novo amor, quem sabe? Mas dessa vez foi diferente. você não tava afim de ouvir sobre as novas garotas da minha vida nem sobre fadiga do meu dilemático emprego de sempre. E deixou isso bem claro pedindo outro copo, um sanduíche, mostrando um livro, respondendo mensagens no celular antigo, “vamos mudar de assunto, por favor?”. Porque a vida tava pulsando lá fora e você precisava ir embora e eu só queria dizer que senti sua falta esse tempo todo e que ter você na minha frente era como uma espécie de paz e aconchego. Mas era tarde demais pra isso, não é mesmo? Você pagou a conta tão rápido, como quem foge de alguma coisa pela janela dos fundos. e eu fiquei sozinho outra vez, com meu maço de cigarros brancos, uma porção de vida pra dividir e um pesar imenso de não ter dito que era pra ser com você.

Um comentário:

ana sandim disse...

Vejo tantas coisas aqui dentro deste texto.

- suave e cativante.
beijos.