quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Auto-Retrato

- Olha, eu sei que tá meio tarde mas tô ligando só pra te dizer que eu entreguei os pontos. Como assim que pontos? Esses que a gente foi costurando pra tentar construir essas coisas que as pessoas chamam de amor e que eu, por vezes, prefiro chamar de silêncio. Tava até dando pra suportar mas quando fui reparar vi que tá ficando remendado demais sabe? Esse negócio de ter que saber e ter que aprender um punhado de coisas, não me cai bem. Eu não consigo, eu não tenho paciência, eu não sei lidar com as pessoas nem com a tua vida nem com essa chuva forte nem com essa nuvem cinza pairando em cima da gente. Como assim você não vê? Tá aqui, extensa, grande, flutuando nas coisas que a gente construiu. Não é exagero, só você não consegue perceber. E eu tô cansada! Sim, eu já sabia que você não teria o que dizer e que se a insatisfação é minha, sou eu que devo pegar minhas coisas e ir embora e me virar e procurar meu jeito de chorar menos e encontrar minha própria felicidade. Mas num é tão simples assim você entende? Você tinha que dizer que sente muito, que eu não posso te deixar, que vai ficar triste sem mim, que as coisas vão mudar e que essa nuvem vai sumir aos poucos ou até de uma vez... só depende de você. 
 (...)
Eu vou desligar o telefone e num volto hoje pra casa. Tá um frio do lado de fora que só de pensar em abrir a porta e tudo se misturando aqui dentro e essa nuvem que não vai embora, que insiste em ficar e que vai tomando conta da minha alegria e das minhas vontades e da minha graça de continuar costurando nossa simplicidade, vai acabar me consumindo! E a gente não precisa disso! Não, eu não preciso de tratamento: eu preciso é de você.

6 comentários:

Marcos Oliveira disse...

Um texto lindo , porem de lindo é tão triste. legal ver as construção poética que só você consegue escrever..
é possível perceber nesse e em outro textos essa semelhança, esse sentimento meio que a flor da pele. Querendo estourar, feito espinha.. ou espinho.
é um texto lindo , mas isso eu já disse...

Paulo Tamburro disse...

OLÁ DÉBORA.

SOU SEU MAIS NOVO SEGUIDOR.

QUANDO LEIO UM TEXTO DESTA NATUREZA QUE ME EMOCIONA E TROCO COMIGO SENTIMENTOS EU SEMPRE ME SILENCIO.

É O QUE FAREI AGORA.

PARABÉNS!!!

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UM ABRAÇÃO CARIOCA.

Camila Sol disse...

Com o tempo (e deixando a chuva limpar o terreno e o vento levar as nuvens) a gente aprende tudo que é necessário.

Lindo texto...mas isso o Marcos já disse...

Levy Vargas disse...

Ando me indentificando muito com teus belos textos ! O teu sentir as coisas, está meio parecido com o meu, ultimamente...

Jéh disse...

adooorei o blog floor, parabéééns!
estou te seguindo, me segue?
girls-sos-girls.blogspot.com
O meu blog é direcionado a todas garotas, voce vai gostar!
beijoos :*

Marcos Medeiros Raimundo disse...

Sabe Dé, eu sei exatamente o que vc está sentindo, tanto que me sinto escritor desse texto, é sério.
Parece que as pessoas não entendem que precisamos de algo a mais, e que não é assim tão fácil não ser melancólico, como se agente fosse como todo mundo, enfiasse um sorriso no rosto e agora tá tudo bem.
Ainda mais com quem agente ama, queremos acima de tudo, carinho, abraços e beijos. Queremos nos sentir acalentados.