sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Do livro de cartas (n° 1)

Querida Ana,

Eu não me esqueci do seu aniversário. Me lembrei de você o dia todo, mais do que nos dias normais. Só que a vida anda uma correría estranha e não consegui colocar crédito no telefone por ausência financeira. Não tenho costume de rezar, mas pedi a Deus por você esta manhã. As coisas andam dificeis por aqui Ana. As pessoas correm tanto! E os carros também. Às vezes acho que não vou conseguir acompanhar e preciso parar um pouco pra respirar. A respiração aqui também é escassa, ar muito poluído, pouca circulação de ventos, essas coisas todas.

Outro dia da semana passada, desejei muito que você estivesse aqui. Tem tanta coisa bonita nesse mundo que eu queria mostrar pra você Ana! A Orquestra Sinfônica ensaiou uma peça linda: "Dom Quixote". Vem um Ballet (do Rio de Janeiro eu acho) dançar aqui sábado, naquele teatro grande do Palácio das Artes. Queria levar você e te convidar pr'um café depois (eu até deixaria você tomar chá).
Sabe Ana, sinto muita saudade do nosso tempo e das coisas simples e tão bonitas que me faziam sempre tão feliz. Não se preocupe minha amiga, eu não estou triste. Mas é que relembrar as coisas me deixa um tanto melancólica... lembra do tempo que a gente perdia sentadas na praça pra conversar? Perdia não: ganhava! E os sorvetes? Você mais nova, mas sempre mais sensata que eu, acertava sempre em não fazer misturas muito doces (meu exagero completava-se com aquela maravilhosa calda quente de chocolate). Aqui não tem sorvetes nem sorveterias nem domingos como os daí...

Outro dia, tive quase voltando Ana. Tenho certeza de que você me receberia de braços abertos. Mas aí eu pensei que você seria a primeira também a me dar os parabéns e o melhor abraço em cada vitória minha. Aí eu resolvi ficar... nem que por mais um pouco de tempo, pelo menos até encontrar o que fazer da minha vida. 

Estou te pintando um presente que não sei quando vou entregar, pois não sei quando vou te ver Ana.

A gente tá precisando de uma foto nova...

Vem me visitar qualquer dia! Vou mudar de casa outra vez semana que vem...

Te desejo toda a felicidade do mundo. Assim, branquinha, sem egoísmo nenhum, pr'eu te ver sorrindo e ficar feliz também...

Te cuida menina. A vida é bonita demais, mesmo com tantos poréns...

Amo-te Ana!

Avisa quando vier. Estou esperando desde já. Não sei fazer cookies sem você.

E sinto saudade...
E Feliz Aniversário.

Com Carinho,

Um comentário:

Manuela Matias disse...

que vontade de chorar!