sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Das coisas simples da vida...

o3:o4- marca o relógio digital. E se ela não viu marcando 03:03, diz que é porque estão desencontrados ainda... e ele só ri das coisas dela.
Estavam ainda acordados, sentados no sofá vermelho na sala pequena, com o rádio a pilha ligado baixo, conversando sobre o dia que passou.
O dia dela teve trabalho cansativo. O dele, veio pra finalizar uma viagem de quinze dias.
E ela já não via a hora dele voltar... sentia tanta saudade! Não se acostumava com as ausências dele, por mais que o trabalho as fizesse frequentes.
E ele? Levava ela sempre no coração e trazia uma rosa para a coleção dela, sempre que um trabalho terminava para na semana seguinte outro começar.
E assim eles viviam.. se dividindo, se completando.
As vezes ela dizia coisas que ele não entendia porque ela dizia, mas gostava dela mesmo assim.
Outras vezes, ele se esquecia de coisas que não podia, mas ela entendia e gostava dele, mesmo assim.
Feitos um para o outro...
Tanto, que ninguém negava. Todo mundo via estampado nos dois sorrisos e brilhando nos dois pares de olhos pequenos, que a parte vazia que existia, um apareceu pro outro só pra completar. Não existia mais vazio... existia algo que ela não sabia explicar o quê e nem queria aprender pra explicar.
Ela só dizia que estar do lado dele a fazia feliz... e estar longe dele, só lhe dava saudade. A felicidade não morria nem com a ausência, porque saber que ele existia em algum lugar desse mundo grande, já era suficiente pra deixar existir segurança, confiança, espera...
Ah espera... e quanto tempo ela esperou por ele... passava dias em plantão e lenta tristeza quando ele não vinha. Pensava em desistir, pensava em esquecer. Mas ela sabia que alguma coisa existia. E não se preocupava em entender. Apenas sabia...
E ele, sempre tão calmo, custou a perceber o que acontecia... custou a enxergar que por dentro dela, era um amor que crescia, enquanto dentro dele, um amor que morria, pedia pra outro nascer.

E naquela noite ela estava feliz... ela tinha o sofá vermelho, as paredes brancas, os quadros na parede, a varanda, o jardim, a lua...
- Vontade de comer torta de maçã!
- Então te convido... aceita meu convite?
- Mas já são quase 4 horas da manhã!
- Qual o problema? A gente vai naquele café que você gosta. Fica aberto até de manhã...
- Pega a blusa de frio vernelha pra mim! E a xadrez pra você...
...
- Porque tinha que chover na hora de voltar pra casa?
- Das duas uma: pra gente ficar e comer mais, ou ir embora correndo na chuva... você escolhe!
- Quero correr... segura minha mão? Tenho medo de me perder de você.
- Nunca vou deixar a gente se perder... prometo!

E correram... tanto, tanto! Que parecia faltar o ar. A chuva já não tinha mais lugar pra cair... o dia parou de chorar.
Aí ele vira e diz que sem ela os dias parecem perder o sentido.
Aí ela olha, sorri, deixa cair uma lágrima e lhe dá um abraço ao mesmo tempo... e ele entende o que ela quis dizer.
E ali, naquela simplicidade toda os dois tinham um ao outro... e tudo estava completo.

2 comentários:

Marcos Medeiros Raimundo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
B. disse...

lindo, simplesmente.

*não tô conseguindo pensar em nada melhor para dizer...as lágrimas dificultam ver o teclado, então espero que você entenda o que eu quis dizer e o que eu senti quando li."

;*