quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Os dois...


...e ela amava. E o amor dela era tanto, que as vezes ela até desconfiava e ficava pensando se podia mesmo ser... Amava com delicadeza, com doçura, com simplicidade e as vezes com um exagero que era dela e só. Amava e o amor dela era infinito! E era por ele esse amor...
...ele também amava... mas o amor dele era um amor estranho, desses que transbordam em palavras e atingem o que não se vê: apenas crê. Amava e ela sabia que o amor dele era livre... até que escolheu alguém pra se prender. Alguém que não era ela.
Aí um dia ela resolveu entender... que se não fosse pra ser ele então, jamais outro alguém poderia ser. Fez lá algumas promessas, já sem receio algum. Resolveu cuidar de tudo e dela mesma se esquecer. Também porque acho que ela nem mais queria juntar caco quebrado, pra tentar colar com Super Bonder o que o amor dele desfez...
E ele até chegou a dizer a ela que o amor dele poderia se transformar: em outro tipo de amor... e ela então, meio que sem entender, pôs-se a chorar um choro grande, desses com soluço e a impressão de que nunca vai acabar...
O tempo passou e eles se desentenderam, se desencontraram, se perderam... ele não acreditava que o amor dela podia existir, ela não entendia tanta coisa que ele esquecia outras tantas que ele fingia, outras mais que ele dizia mas não sentia. Ele já não tinha mais tempo e trabalhava demais, e o tempo dela andava meio ocupado, gasto, relógio sem ponteiro a gente não pode atrasar...nem adiantar. Ele parou de lhe trazer rosas e nem mais boas respostas se dignificava a dar, e ela, já tão cansada, parou de perguntar, nem escrever lhe escrevia mais e já nem sabia mais o número de cór pra tentar ligar. Ele esqueceu de transformar o amor e de lhe avisar... ela, andava tão perdida, que já nem sabia mais se sabia amar. Ele magoava sempre, sem perceber, e ela sabia que era sem querer, pois sabia que ele nem se esforçava pra entender.

E então ela acordou e não tinha mais nada. Nem mágoa, nem amor. Talvez ainda estivessem dormindo, já que a preguiça tem tomado conta das manhãs, deixando tudo meio sonolento... Ele? Parecia não querer ver... que o amor já se perdera a tempos! Pois nem perguntava, pra tentar saber...
Ela não sabe mais de amar, nem de sorrir, nem de cantar. Anda pintando uns quadros, um até ganhou o nome dele, mas com o tempo vai desbotar. Tem feito dos dias um monte de coisas que não se acabam, só se juntam, pra encher mesmo, pra não sobrar. Pois quando sobra, pensa... e quando pensa, lembra o que não se quer mais lembrar... Ele, talvez descubra domingo que o amor se transformou... e também, se descobrir ou não, ela nunca vai saber: parou de acreditar nele pra tentar voltar a ver nos dias, um pouco mais de cor. E já faz alguns dias e ela percebeu que está tudo no lugar... o vento, a chuva, o sol, as flores, as estrelas e ela ainda consegue respirar. Talvez tenha encontrado lugar pro amor dormir, até o tempo passar e ele perceber que é com ela que deve ficar... ou tenha mesmo desistido dessas coisas todas que pra ela sempre erram, como se tivesse sido feita somente pra viver e ajudar. Nada, nada mais de amar...

4 comentários:

Natália Oliveira disse...

Tá rolando um certo vício no seu blog. Triste demais esse texto, cheguei a sentir calafrios. Mas é ao mesmo tempo bonito. Esse não me indentifiquei tanto, e digo que de tão lindo, certas frases me lembraram a Clarice Lispector.

Marcos Medeiros Raimundo disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Felicidade Clandestina. disse...

lindíssimo.

amei.

e cada um ama como pode.
e sabemos todos desse pesar \:

amei*

ana sandim disse...

"Aí um dia ela resolveu entender... que se não fosse pra ser ele então, jamais outro alguém poderia ser."

Quantas vezes eu ja não pensei, nisso. mas fui ver, sempre tem o próximo.
Texto triste. e sinto em algum ponto. sentimentos a flor da pele.

Apaixonante.